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terça-feira, 26 de fevereiro de 2013
Ararinhas-azuis voltam para casa
Do IMCBio
Projeto conta com a
parceria entre órgãos do governo brasileiro e iniciativa privada
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| Foto Divulgação: Projeto Ararinha na Natureza |
Brasília (26/02/2013) - Os dois primeiros
exemplares da ararinha-azul (Cyanopsitta spixii) chegam hoje, dia 26, em
São Paulo. As aves, mantidas em cativeiro na Alemanha, chegam ao Brasil como
uma das ações do projeto Ararinha na Natureza, que tem como objetivo devolver à
Caatinga brasileira esta espécie que desapareceu da região há mais de uma
década. A iniciativa tem como parceiros o Instituto Chico Mendes de Conservaçãoda Biodiversidade (ICMBio), organizações da sociedade civil sem fins lucrativos
(SAVE Brasil e Funbio, via carteira Fauna Brasil) e a Vale.
O procedimento de transferência das aves obedece às
normas do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) e é
acompanhado diretamente pelo ICMBio, que coordena o Plano de Ação Nacional para a Conservação da Ararinha-azul (PAN),
e pela Sociedade para a Conservação das Aves do Brasil (SAVE-Brasil). “O
objetivo é ter indivíduos suficientes em cativeiro para efetuar a reintrodução
em seuhabitat natural daqui a alguns anos”, explica Camile Lugarini,
coordenadora do PAN.
Inicialmente, as aves passaram por exames clínicos
seguindo as exigências do MAPA e foram embarcadas em voo comercial,
acondicionadas em caixotes especiais (imunes a contaminações). Após o
desembarque, os espécimes serão levados para a Estação Quarentenária de
Cananéia (SP), onde ficarão em quarentena. Ao final deste período, as aves se
juntarão a outros exemplares que estão em cativeiro no Brasil, para a
reprodução.
O PAN foi instituído pelo ICMBio em fevereiro de
2012 e prevê uma série de medidas para aumentar a população manejada em
cativeiro, além de recuperar e conservar o habitat de ocorrência histórica da
espécie até 2017.
Em busca de novos espécimes
A repatriação faz parte das ações do governo
brasileiro e parceiros que visam reintroduzir a ararinha-azul na natureza, que
é uma espécie brasileira nativa da Caatinga. Considerada extinta em ambiente
natural desde 2000, atualmente há no mundo apenas 80 indivíduos, mantidos em
programas de cativeiro. A maioria encontra-se em mantenedores no exterior
(Espanha, Alemanha e Quatar). De acordo com o ICMBio, somente quatro ararinhas
compõem atualmente a população reprodutiva no Brasil.
Em abril deste ano, será feita a repatriação de um
novo grupo de ararinhas que virão da Espanha. No início deste mês, o Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Aves Silvestres (Cemave),
do ICMBio, acompanhou a transferência de um casal de ararinhas na Europa.
Reintrodução à natureza
Iniciativa ousada e grandiosa, o projeto tem o
objetivo de restabelecer uma população selvagem da espécie e garantir a
proteção de seu habitat. Com ações de curto, médio e longo prazos, o
projeto Ararinha na Natureza prevê o desenvolvimento de diversas atividades
como a implementação de políticas públicas voltadas à conservação da ararinha,
apoio ao manejo adequado das populações de cativeiro visando futuras
reintroduções, aumento do conhecimento científico, proteção dos habitats e
campanhas de disseminação e educação ambiental.
Atualmente a ararinha-azul é um dos animais mais
ameaçados do planeta e, embora tenha sido sempre considerada rara, devido ao
histórico de destruição de seu habitat (Caatinga) e a intensa captura
para o comércio ilegal, a espécie tornou-se símbolo mundial da importância de
preservação da biodiversidade. Como a possibilidade de existirem indivíduos na
natureza é muito remota, o aumento populacional em cativeiro para a
reintrodução na natureza é a única esperança para a recuperação da ararinha no
seu habitat original.
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