sábado, 1 de dezembro de 2012

Balneabilidade indica 5 praias impróprias para banho em Salvador


Olha a merda!!! Mas continua diminuindo... Uma boa notícia para os banhistas que como eu, curtem uma prainha final de semana. O levantamento de número 38, realizado pelo Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos da Bahia (Inema) indicou que, esta semana, 5 praias, das 34 analisadas, devem ser evitadas.

As 4 praias em Lauro de Freitas continuam próprias para banho. o/

A poluição nas águas do mar decorrente do esgoto que corre pelos canais pluviais, o arraste de lixo com as chuvas e a falta de educação da população são alguns dos fatores que contribuem para que as praias sejam consideradas como impróprias.

As praias que devem ser evitadas são:

  • Penha (Em frente à Igreja N. S. da Penha);
  • Pedra Furada (Atrás do Hospital Sagrada Família);
  • Roma (Atrás do Hospital São Jorge);
  • Boca do Rio (Em frente ao Posto Salva Vidas);
  • Itapuã (Em frente à Sereia de Itapoã).



A avaliação das praias faz parte do projeto Monitoramento Ambiental, do INEMA, que além de analisar a qualidade ambiental das águas e do ar, faz análise do comportamento das correntes oceanográficas e dos ventos. O boletim é feito semanalmente e está disponível no site do Sistema Estadual de Informações Ambientais e Recursos Hídricos (SEIA).

De acordo com a Assessoria de Imprensa do INEMA, “O material é analisado e os exames bacteriológicos confirmam as praias impróprias para o banho. A praia é considerada própria quando apresenta, em 80% das amostras, menos de 1.000 coliformes fecais ou menos de 800 Escherichia coli, ou ainda menos de 25 enterococos por 100 ML de água. Ainda que nas análises anteriores a qualidade da água esteja dentro dos parâmetros considerados próprios para banho, se o valor obtido na última amostragem for superior a 1000 coliformes termotolerantes ou 2000 Escherichia coli ou 100 enterococos por 100 mL de água, a praia é considerada imprópria. Esses critérios foram estabelecidos pela resolução 274/2000 do Conselho Nacional doMeio Ambiente (Conama)”.

O Instituto ainda alerta os banhistas para evitar o banho de praia em tempo chuvoso, já que as águas podem ser contaminadas por arraste de diversos detritos, como lixo das ruas, carregado através das galerias pluviais, podendo causar doenças como conjuntivite e leptospirose. “É desaconselhável ainda o banho próximo à saída de esgotos, desembocadura dos rios urbanos, córregos e canais de drenagem”, completa.

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Pesquisa 'mais completa' em pólos mostra aceleração em degelo

Da BBC Brasil


Estudo que reuniu os principais especialistas de 20 equipes de pesquisa sobre derretimento das calotas polares revelou que o nível do mar subiu 11 mm desde 1992, por conta do degelo na Groenlândia e na Antártida.



Após diversas polêmicas sobre o fenômeno, pesquisadores de diferentes países usaram imagens feitas por 10 de satélites e amostras no decorrer dos últimos 20 anos para elaborar um relatório aparentemente conclusivo sobre o tema.

A pesquisa mostrou que o degelo é mais intenso na Groenlândia, onde diversas bordas da ilha se desprenderam definitivamente.

Já na Antártida, boa parte da camada de gelo permaneceu praticamente inalterada. No entanto, a área ocidental do continente tem derretido de maneira acelerada.

Os cientistas dizem que o próximo passo é um grande desafio, conseguir prever a evolução do derretimento para os próximos cem anos.



quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Despejo de lixo tóxico na Bahia gera polêmica

Da Agência Brasil

O armazenamento e a queima de 400 toneladas de lixo tóxico causou revolta nos moradores e vereadores de Camaçari, Bahia. O material foi produzido na sede da empresa multinacional Rhodia, na cidade de Cubatão.





Esse texto está sob Creative Commons 3.0.

Ibope: brasileiro quer cuidar do lixo, mas não é atendido

Do WWF BRASIL
Por Warner Bento Filho – 28.11.2012

A menos de dois anos do prazo final para a implementação da coleta seletiva e para o fim dos lixões em todo o país, pesquisa inédita do Ibope revela uma situação curiosa: a população brasileira quer cuidar melhor de seu lixo, mas não é atendida pelos governos. O estudo, encomendado pelo WWF-Brasil no âmbito do Programa Água Brasil, foi divulgado na manhã desta quarta-feira (28), durante a Expocatadores, que vai até sexta-feira (30), em São Paulo. O Programa Água Brasil, concebido pelo Banco do Brasil, é desenvolvido em parceria com Fundação Banco do Brasil, WWF Brasil e Agência Nacional de Águas (ANA).

Foto: Direitos Urbanos

A pesquisa revelou que a maioria da população (64%) não é atendida pela coleta seletiva e 1% não sabe o que é isso. De acordo com o estudo, entre os 35% da população que são atendidos pela coleta seletiva, em apenas metade dos casos o serviço é prestado pela prefeitura. A outra metade é informal, prestada por catadores de rua, cooperativas ou associações ou entregues em pontos de coleta voluntária.

Entre aqueles que não contam com serviço de coleta seletiva, a disposição para separar materiais é alta: 85% se dizem dispostos a separar o lixo em casa se tiverem coleta seletiva ou ponto de entrega voluntária. 

De outro lado, a pesquisa também mostra que a população não quer pagar para ter o serviço. A maioria – 65% - é contra a cobrança da taxa do lixo.

O estudo revela, ainda, desconhecimento dos brasileiros em relação ao destino dos resíduos. Uma em cada três pessoas não faz ideia para onde vai o lixo produzido em sua casa. A consciência sobre resíduos prejudiciais para meio ambiente ainda é desigual: Pilhas e baterias são os mais conhecidos.

Disposição para a mudança

Apesar do desconhecimento, a disposição para adotar comportamento sustentável é alta: 41% dos entrevistados se dizem dispostos a adotar os três erres (reduzir, reusar e reciclar). E um em cada três entrevistados está disposto a abrir mão de produtos, ainda que com prejuízo da comodidade, e a exigir dos fabricantes solução para os impactos ambientais dos produtos. 

De acordo com o coordenador do Programa Educação para Sociedades Sustentáveis do WWF-Brasil, Fábio Cidrin, o desafio para a implementação da Política Nacional de Resíduos Sólidos “é muito grande”. Ele lembrou que, a menos de dois anos para o prazo final para municípios terminarem com os lixões e implementarem a coleta seletiva, não há sinais de que as metas serão cumpridas. 

O presidente da Fundação Banco do Brasil, Jorge Streit, lembrou que o Programa Água Brasil atua em cinco cidades brasileiras para desenvolver tecnologias e experiências que possam ser replicadas para todo o país. E observou que a pesquisa tem grande importância para o programa na medida em que estuda, além do descarte, os hábitos de consumo da população – justamente o ponto onde começa a geração de resíduo. 

O líder dos catadores de materiais recicláveis Severino Lima Júnior avaliou que a pesquisa mostra que a Política Nacional de Resíduos Sólidos “ainda está para ser implementada”. Segundo ele, ainda faltam informações e iniciativas. “Precisamos, por exemplo, de informações de ordem econômica. Saber quanto custa fazer a coleta seletiva, por exemplo”, disse. “É importante que esse estudo seja reconhecido pelo poder público”, concluiu. 

Veja aqui a pesquisa completa. 

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Governo anuncia menor desmatamento da Amazônia desde 1988

Da BBC Brasil
Por João Fellet - 27.11.2012


O governo federal anunciou nesta terça-feira a menor taxa de desmatamento já registrada desde que o governo passou a monitorar a destruição da Amazônia, em 1988.

Os dados apontam uma redução de 27% no ritmo de desmatamento da floresta entre agosto de 2011 e julho deste ano em comparação com os 12 meses anteriores.

 No último ano, segundo dados preliminares do monitoramento de satélites do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), foram derrubados 4.656 quilômetros quadrados de Floresta Amazônica. Na medição anterior, o desmatamento fora de 6.418 quilômetros quadrados.

Ambientalistas temem que novo Código Florestal possa aumentar desmatamento; governo discorda


A margem de erro da estimativa é de 10%. Os dados consolidados serão divulgados no início de 2013.

A medição ocorreu antes da alteração do Código Florestal, em outubro. Ambientalistas temem que a nova lei, que consideram mais frouxa em relação aos que derrubaram florestas ilegalmente, possa aumentar o desmatamento nos próximos anos.

O governo contesta a opinião e diz que novas tecnologias de fiscalização continuarão a baixar os índices.

Segundo a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, o resultado obtido na última medição deve antecipar o cumprimento da meta do governo de reduzir o desmatamento para 3.925 quilômetros quadrados ao ano em 2020.

Entre 1996 e 2005, o desmatamento na Amazônia alcançava cifras médias de 19,6 mil quilômetros quadrados anuais. Calcula-se que a Floresta Amazônica ocupe cerca de 4 milhões de quilômetros quadrados no Brasil, metade do território do país.

Trajetória inversa


Apesar da redução do ritmo do desmatamento na Amazônia como um todo, alguns Estados tiveram trajetória inversa, como Acre (aumento de 10%), Amazonas (29%) e Tocantins (33%).

"Lamentavelmente, percebemos em Estados que não tinham performance agressiva de desmatamento um sinal de que ele está aumentando", disse Teixeira.

A ministra apontou entre as razões para o crescimento dos índices nessas áreas a urbanização e a ocupação ilegal de terras às margens de rodovias.

Teixeira disse ainda que uma prática de desmatamento que havia desaparecido voltou a ser registrada pela fiscalização. Segundo ela, alguns desmatadores mantêm nas estradas "fogueteiros", que os avisam da presença de fiscais do Ibama. Antes da chegada dos fiscais, eles põem fogo na floresta para que, posteriormente, tratores e motosserras concluam a limpeza.

Outros desmatadores, diz a ministra, passaram a pintar tratores de verde, para dificultar sua localização por satélites.

Teixeira celebrou, no entanto, a redução na taxa de desmatamento nos dois Estados que tradicionalmente mais derrubam a floresta: Pará (44%) e Mato Grosso (31%). Os dois, porém, continuam no topo da lista dos Estados que mais destroem a Amazônia.

No Mato Grosso, segundo a ministra, a redução no desmatamento ocorreu apesar da manutenção da prática do "correntão", pela qual correntes amarradas a tratores arrancam a floresta do solo.

Teixeira diz que o governo estadual havia firmado com o Ministério do Meio Ambiente o compromisso de aprovar uma lei proibindo a prática, o que ainda não ocorreu.

Nova tecnologia


Na cerimônia em que anunciou as taxas de desmatamento, Teixeira ainda apresentou mudanças na fiscalização da atividade. Ela diz que, a partir de 2013, todos os autos de infração serão registrados eletronicamente por aparelhos com GPS.

A estratégia tem o objetivo de evitar erros na localização das infrações.

Segundo a ministra, falhas na localização das infrações alimentavam uma "indústria de advogados, que buscavam erros para anular os autos". Além disso, diz ela, a possibilidade de alterar o local da infração tornava alguns fiscais vulneráveis à corrupção.

Também presente no evento, o ministro de Ciência e Tecnologia, Marco Antônio Raupp, disse que, no ano que vem, uma nova família de satélites entrará em operação, aprimorando a fiscalização do desmatamento amazônico.



Soltura de filhotes na Praia do Forte

Do Projeto Tamar 


terça-feira, 27 de novembro de 2012

Vereadores de Camaçari aprovam moção de repúdio a envio de lixo tóxico para o município



Por Alex Rodrigues - 23.11.2012

Brasília – A Câmara de Vereadores de Camaçari (BA) aprovou ontem (22), uma Moção de Repúdio contra o envio de cerca de 5 mil toneladas de material contaminado por resíduos industriais tóxicos de Cubatão (SP) para ser incinerado no município baiano.

O texto de autoria do vereador José Marcelino de Jesus Filho (PT) destaca o risco de transportar, por 1,5 mil quilômetros, o resíduo tóxico da empresa multinacional Rhodia. A moção também cita a ameaça de que a queima do material contaminado libere no ar substâncias tóxicas como as dioxinas – risco descartado pelos órgãos ambientais paulista e baiano que autorizaram a operação.

Conforme a AgênciaBrasil noticiou com exclusividade na terça-feira (20), os órgãos ambientais paulista e baiano autorizaram a Rhodia a transferir para Camaçari 760 toneladas por ano, de material contaminado por substâncias organocloradas como o pentaclorofenato de sódio (pó da china) e o hexaclorobenzeno para serem queimadas pela empresa de soluções ambientais Cetrel Lumina, que possui incinerador instalado no Polo Petroquímico de Camaçari, na região metropolitana de Salvador.

Segundo o Instituto de Meio Ambiente e Recursos Hídricos da Bahia (Inema) e a Companhiade Tecnologia de Saneamento Ambiental de São Paulo (Cetesb), testes de queima de amostras do material enviado pela Rhodia à Cetrel Lumina comprovaram a eficácia do incinerador para eliminar integralmente qualquer resíduo que ofereça risco à população ou ao meio ambiente.

Na moção aprovada pela Câmara municipal, Marcelino lembra que, ainda na década de 1990, outras 33 mil toneladas de solo contaminado por resíduos da Rhodia foram armazenadas em outro município paulista da Baixada Santista, São Vicente. A solução deveria ser temporária, até que todo o material fosse queimado pela própria empresa, em um incinerador instalado na fábrica da multinacional, em Cubatão. Em 1993, contudo, a Justiça determinou a interrupção da queima e a interdição de toda a fábrica que colocava em risco a saúde dos trabalhadores.

Desde então, todo o material recolhido na Baixada Santista aguarda por uma solução definitiva. Na área onde funcionava a fábrica em Cubatão, estão as cerca de 5 mil toneladas recolhidas de três locais da cidade. Já as cerca de 33 mil toneladas que estão em São Vicente são provenientes de cinco terrenos vicentinos e de outros três de Itanhaém, município do litoral paulista a cerca de 80 quilômetros de Cubatão, origem dos resíduos irregularmente descartados a partir de meados da década de 1970. O eventual envio do material de São Vicente para Camaçari depende da obtenção de novas autorizações mas, por enquanto, Rhodia, Cetesb e Secretaria de Meio Ambiente de São Vicente não discutem essa possibilidade.

A Associaçãode Combate aos Poluentes (ACPO) – formada por funcionários da Rhodia contaminados pelo contato com substâncias tóxicas, divulgou nota pedindo explicações sobre a destinação das cinzas resultantes da queima que, segundo a entidade, são consideradas perigosas.

“O relatório da Cetesb não esclarece para onde está sendo destinada a grande carga de cinzas tóxicas, uma vez que apenas dez por cento do material contendo resíduos tóxicos da Rhodia é passível de ser transformado em gases poluentes para “suposto” tratamento. Os 90% restantes [do material] permanecem [após a queima] como sólidos perigosos”, diz a nota da ACPO, que promete recorrer à Justiça para tentar impedir a operação.

Edição: Denise Griesinger


Rodhia diz que lixo tóxico depositado em São Vicente terá destino diferente


Por Camila Maciel - 24.11.2012

São Paulo – A empresa Rodhia não planejar dar a mesma destinação do lixo tóxico armazenado na antiga fábrica de Cubatão aos resíduos que estão concentrados em um terreno de São Vicente, município do litoral paulista, disse à Agência Brasil o diretor industrial da instituição, Gerson Oliveira.


Fábrica da Rhodia em São Paulo (cabresto.blogspot.com)

“Não é uma operação retida pela organização neste momento. Estamos buscando alternativas”, declarou. Ele aponta que o confinamento a que o material está sujeito no local é uma boa solução técnica, pois não oferece risco às pessoas, nem ao meio ambiente.

Cerca de 3 mil toneladas de lixo tóxico, comprovadamente cancerígeno, que resultou do processo de produção da indústria em Cubatão, na Baixada Santista, serão transportados para Camaçari, região metropolitana de Salvador (BA), para ser incinerado pela empresa de soluções ambientais Cetrel Lumina.

A ação, conforme divulgado com exclusividade pela Agência Brasil na última terça-feira (20), foi autorizada pelos órgãos ambientais dos dois estados: Instituto de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) da Bahia e Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) de São Paulo.

De acordo com o Oliveira, uma das razões para dar destinos diferentes aos materiais tóxicos de Cubatão e São Vicente é o volume de lixo armazenado nesses locais. Ele informou que a quantidade de resíduos é pelos menos dez vezes maior no terreno vicentino, com cerca de 30 mil toneladas.

A área, chamada de Estação de Espera, aglutina resíduos de pelo menos outros seis terrenos da Baixada Santista que também receberam descarte de material. A área fica localizada às margens da Rodovia Padre Manoel da Nóbrega (SP-055).

Oliveira explicou ainda que as duas áreas têm características de armazenamento diferentes, o que torna mais urgente a queima do material presente na antiga fábrica. “Os resíduos que eu tenho em Cubatão estão em um armazém e os outros [de São Vicente] estão em um confinamento. Esses outros, entre as aspas, já têm uma solução. Então eu tenho que partir para algo que seja melhor do que isso. São abordagens distintas”, defendeu.

A tentativa de transportar o material contaminado por compostos organoclorados, como o pó da china (pentaclorofenato de sódio) e o hexaclorobenzeno, de São Vicente, já havia sido feita pela Rodhia em 2004. A iniciativa foi suspensa por definição do juiz Ricardo D'Ávila, da 5ª Vara da Fazenda Pública da Bahia.

Apesar de estudar outras formas tecnológicas para destruição dos resíduos de São Vicente, o diretor industrial defendeu a operação de transporte e incineração na Bahia e destacou que a empresa está confiante no procedimento. “É extremamente seguro. Temos tido um cuidado extremo, seja do ponto de vista técnico, seja do administrativo. É um incinerador que tem tecnologia apropriada para esse tipo de destruição e que é todo monitorado por dentro. Tivemos pré-testes e testes para assegurar toda essa operação exemplar em termos de destruição térmica por incineração”, declarou.

Para órgãos ambientais paulistas, a incineração a ser feita pela Cetrel servirá de modelo para uma futura decisão sobre o caso de São Vicente. O secretário municipal de Meio Ambiente, Alexandre Casasco, disse na última quinta-feira (22) à Agência Brasil que poderá exigir o mesmo procedimento caso o processo de queima do material seja positivo.

Edição: Davi Oliveira



Governo baiano suspende queima de lixo tóxico em Camaçari

Por Alex Rodrigues - 26.11.2012

Brasília - O governo da Bahia vai determinar que a empresa de soluções ambientais Cetrel Lumina suspenda o transporte e a queima de material tóxico enviado de Cubatão (SP), pela multinacional Rhodia, para Camaçari, na região metropolitana de Salvador. Serão solicitados novos testes para confirmar a segurança da operação, que causou polêmica no estado depois de noticiada com exclusividade pela Agência Brasil.

Segundo a Secretaria do Meio Ambiente do governo baiano, a suspensão atende à solicitação do grupo de deputados estaduais, vereadores e ambientalistas que se reuniram hoje (26) de manhã com o secretário estadual da pasta, Eugênio Spengler. Ele convocou para esta tarde reunião com representantes da empresa para notificá-los da decisão. A autorização na Bahia foi concedida pelo Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema).

“Pedimos a suspensão permanente da incineração porque achamos isso um desrespeito ao povo de Camaçari e um risco a todas as cidades por onde vão passar os caminhões necessários ao transporte de todo este lixo. Se esse material foi gerado em São Paulo, por que o trazer para a Bahia?”, questionou a deputada estadual Luiza Maia (PT), uma das participantes da reunião.

 Para tranquilizar a população e afastar de vez o receio de que a incineração do material contaminado por compostos organoclorados como o pentaclorofenato de sódio (pó da china) e o hexaclorobenzeno causem danos ao meio ambiente e à saúde dos moradores de Camaçari e região, a secretaria estadual vai exigir que a Cetrel realize novos testes de queima para comprovar a eficiência do seu incinerador.

A secretaria estadual também vai solicitar ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) detalhes sobre os riscos envolvidos no transporte dos resíduos de Cubatão a Camaçari, um percurso de cerca de 1,5 mil quilômetros. Compete ao instituto, que é federal, autorizar o transporte deste tipo de material de um estado a outro.

Além disso, a secretaria vai solicitar à Cetrel Lumina e à Rhodia detalhes sobre a operação, inclusive quanto do material chegou a ser transferido para a Bahia, quanto dele já foi eliminado e qual a destinação do resíduo resultante da queima, já que, segundo alguns críticos da iniciativa, as cinzas resultantes da queima dos compostos organoclorados também oferecem risco se não forem adequadamente descartadas.

Por meio da assessoria, a secretaria baiana ponderou que a decisão de exigir novos testes tem a intenção de oferecer uma garantia maior à sociedade baiana, mas não põe em dúvida a eficácia da Cetrel, empresa que opera há mais de 20 anos em Camaçari e que possui autorização para destruir termicamente resíduos clorados. Tampouco, questiona a competência do Inema de atestar a segurança da operação.

Conforme a Agência Brasil noticiou com exclusividade no último dia 20, o Inema e a Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb), de São Paulo, haviam autorizado a Rhodia a transferir para Camaçari 760 toneladas por ano das cerca de 5 mil toneladas de material contaminado que, há décadas, a Rhodia mantém armazenada no terreno de Cubatão, na Baixada Santista, onde, até 1993, funcionava sua fábrica. Procurada agora à tarde, a Rhodia disse que não havia sido comunicada pelo governo baiano da decisão.

Outras 33 mil toneladas de material semelhante permanecem à espera de uma solução definitiva armazenados em um terreno de São Vicente, outro município da Baixada Santista. No sábado (24), a Rhodia informou à Agência Brasil que não tem planos de  enviar os resíduos de São Vicente para serem queimados em Camaçari. Procurada, a prefeitura disse que aguardaria os resultados obtidos com a incineração do material de Cubatão antes de decidir se vai cobrar da Rhodia a mesma solução para o material acumulado na cidade.

Edição: Davi Oliveira


Esse texto está sob Creative Commons 3.0.