segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Cães abandonados são problema em Feira de Santana

Do ATarde
Por Luiz Tito e Redação - Sucursal de Feira de Santana
                                                                                                                                          


O dito popular diz que o cachorro é o melhor amigo do homem, mas nem sempre a recíproca é verdadeira. Isso é constatado nas ruas de Feira de Santana (a 109 km de Salvador), onde é comum encontrar cães acasalando, perambulando sem destino, aventurando suas vidas entre carros e motocicletas, na tentativa de atravessar ruas e avenidas.

Muitas vezes, são vistos a buscar comida no lixo, em bares e restaurantes, de onde constantemente são  expulsos a chutes, com banho de água fria ou quente, ou simplesmente com um grito de "passa fora". O motivo da peregrinação? Muitos foram abandonados pelos donos.

Na segunda maior cidade da Bahia, com 600 mil habitantes, dados da Associação de Proteção a Animais (Apa) mostram que, em dez anos, mais de 1.500 cães foram recolhidos após serem abandonadas em diversos pontos das ruas da cidade. Uma média de 150 por ano. Esses números preocupam protetores de animais.

Números atuais - Conforme Ricardo Jones de Lima, presidente da Apa, atualmente há mais de 5 mil cachorros largados nas ruas do município feirense, a maioria nos bairros periféricos.

Os motivos para o abandono são diversos, desde doenças adquiridas pelos animais, o alto preço das rações e consultas veterinárias - variam entre R$ 70 e R$ 100 -, até a mudança de casa, dos donos, para apartamentos ou condomínios fechados.

"Há casos em que os responsáveis por esses animais simplesmente os deixam nas ruas, para que se virem na alimentação. Um verdadeiro crime", disse Lima.

Com estrutura deficitária, Ricardo Jones de Lima vem tentando dar sobrevida a esses animais, que muitas  vezes são resgatados nas ruas quase mortos. São recolhidos tendo levado pauladas na cabeça, com pernas quebradas, muito magros, famintos, sem pelos e cheios de carrapatos.

"Só de lembrar o quadro clínico da maioria me revolta. Um dos exemplos é o vira-lata batizado como Branquinho, que chegou aqui há mais de um ano esquelético e sem uma pata, que perdeu em um atropelamento e, hoje, forte e arisco, adaptou-se à nova vida", contou.

Segundo o presidente, as despesas mensais com alimentação, vacina, outros cuidados e funcionários chegam a R$ 10 mil. "Contamos com a ajuda de amigos e empresários que fazem doações de ração e dinheiro. Alguns veterinários dão descontos nas consultas. Além disso, fazemos sempre eventos para arrecadar verba", informou.

"Hoje temos em nossas bases - uma no centro e outra no bairro do Papagaio - cerca de 250 cães de raça a vira-latas. Todos vacinados, castrados, sadios e dóceis, à espera de um novo lar", disse Lima.


domingo, 1 de setembro de 2013

Sete espécies de peixes estão em extinção na Bahia

Do ATarde
Por Claudio Bandeira

                                                                                                                              

Sete espécies de peixes comuns no litoral baiano correm o risco de extinção devido ao excesso de pesca, induzida pelo alto consumo. A constatação é de uma pesquisa realizada no Parque do Recife de Fora, em Porto Seguro (BA), pela Universidade Federal de Santa Catarina, que integra a rede de pesquisas do Projeto Coral Vivo. A região foi escolhida por ser uma das mais ricas da costa brasileira em biodiversidade marinha.

O peixe Mero é uma das espécies ameaçadas

A pesquisa foi publicada recentemente na revista Fisheries Management and Ecology, um dos mais respeitados periódicos científicos especializado em gerenciamento de pesca e ecologia.

O levantamento de dados foi desenvolvido pelos biólogos Mariana Bender, Sergio Floeter e Natalia Hanazaki da UFSC, e envolveu entrevistas com quatro gerações de pescadores locais que atuam nas imediações do parque.

Entre as espécies ameaçadas estão o badejo quadrado (Mycteroperca bonaci) e o cherne (Hyporthodus nigritus) que foi incluido na lista vermelha global da  International Union for Conservation of Nature (IUCN).

"Além desses, detectamos que estão em declínio capturas de mero-gato  (Epinephelus adscensionis), garoupa (Epinephelus morio), cioba (Lutjanus analis), dentão (Lutjanus jocu) e guaiúba (Ocyurus chrysurus)", enumera Mariana Bender>

Ela acrescenta que as espécies vivem em áreas de recife e que as denominações são nomes populares atribuídos aos peixes na região, mas que podem variar ao longo da costa brasileira.

Foram entrevistados 53 pescadores de forma a ajustar os referenciais ambientais relativos ao impacto provocado pela ação humana no ecossistema  marinho.

Uma das perguntas do estudo se referia ao maior peixe já capturado por cada um deles e quando  isso ocorreu.

"Os com idades superiores a 50 anos tinham pescado animais de maior porte se comparados às gerações mais jovens", explica a bióloga.

O badejo quadrado (Mycteroperca bonaci), por exemplo, há quarenta anos era pescado com 49 quilos e, atualmente, com 17 quilos.

Pesca predatória 

A pesquisa da UFSC constatou que 36% dos pescadores consideraram que a atividade contribuiu para o declínio dos recursos pesqueiros. "Eles lembraram da época em que pescavam nos recifes do atual parque marinho - que agora é uma área de proteção integral -  e retornavam com as canoas cheias de peixes", afirma a bióloga.

Se de um lado os pescadores mais velhos reconhecem o declínio de espécies de peixe e de que a pescaria na região mudou consideravelmente nas últimas décadas, os mais jovens desconhecem que os animais - hoje raros - já foram abundantes.

Ainda segundo a bióloga, "as diferenças na percepção das quatro gerações de pescadores em relação ao meio ambiente e à conservação de recursos pesqueiros é um fenômeno conhecido como "referenciais dinâmicos" (em inglês, shifting baseline syndrome). "Os badejos e garoupas, particularmente, são muito apreciados na culinária pela sua carne. Por isso, é necessário promover o consumo consciente para que os estoques dessas espécies possam se recuperar", diz  Bender.

O estudo contou com o patrocinado pelo programa Petrobras Ambiental, e pelo Arraial d'Ajuda Eco Parque.

Aquicultura

O assessor de projetos institucionais da Bahia Pesca, Eduardo Rodrigues, reconhece que as sete espécies pesquisadas estão de fato ameaçadas de extinção, sendo que o mero, o badejo e a garoupa pertencem a mesma família.

Ele explica que a redução de tamanho dos peixes ao longo dos anos se deve ao fato do esforço de pesca impedir o ciclo biológico natural de crescimento do animal. E defende que a aquicultura é a forma mais apropriada para recuperação dessas espécies em via de extinção. A técnica implica na criação desses peixes em tanques.

"Estamos trabalhando com o mero, uma das espécies ameaçadas, mas é um atividade que requer tempo".

Ele informa ainda que as espécies apresentam período de defeso regulamentado por lei e que proíbe a pesca. 

Pesquisas vêm relatando que retirar dos oceanos mais do que eles podem repor resulta em  desequilíbrio ecológico e danos à economia de subsistência.

"Alguns pescadores com menos de 31 anos não reconheceram espécies de peixes como o mero-gato e o cherne quando apresentados às fotos na entrevista", relata Mariana Bender.

Estudo identifica regiões de captura irresponsável

A pesca predatória ocorre em  escala global e está diretamente ligado ao consumo pela população humana, destaca a bióloga Mariana Bender. Ela cita como exemplos os grandes atuns, tubarões, marlins, e também, as espécies de peixes que utilizam os recifes como habitat.

Devido ao alto consumo, na década de 90 os  estoques de bacalhau começaram a dar sinais de declínio no mar do Norte. Cerca de 40 mil trabalhadores perderam os postos de trabalho e até hoje muitos não conseguira retornar ao mercado de trabalho. 

Pesquisa da Universidade de Colúmbia Britânica, no Canadá, enumerou os locais do planeta onde os “arrastões” da  indústria pesqueira põe em risco o  ecossistemas marinhos.

O estudo identificou  a costa nordeste do Canadá, a costa mexicana no Oceano Pacífico, a costa peruana, o Pacífico Sul (destacadamente a região ao redor da Nova Zelândia), a costa sudeste da África e a região antártica.

Para chegar a essas conclusões, os pesquisadores reuniram dados  econômicos a exemplo das taxas de crescimento da produção de pescado de forma a elaborar um índice que permitisse comparar a ameaça para os ecossistemas em cada país.

Pelo menos 12% das espécies de garoupas e badejos estão em risco de extinção, segundo relatório de especialistas da União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN), organização  que elabora as  “listas vermelhas” de espécies ameaçadas.

Expedição Floriano (Documentário para TV - versão completa) - 2007