Por Alex Rodrigues - 23.11.2012
Brasília – A Câmara de Vereadores de Camaçari
(BA) aprovou ontem (22), uma Moção de Repúdio contra o envio de cerca de 5 mil
toneladas de material contaminado por resíduos industriais tóxicos de Cubatão
(SP) para ser incinerado no município baiano.
O texto de
autoria do vereador José Marcelino de Jesus Filho (PT) destaca o risco de
transportar, por 1,5 mil quilômetros, o resíduo tóxico da empresa multinacional
Rhodia. A moção também cita a ameaça de que a queima do material contaminado
libere no ar substâncias tóxicas como as dioxinas – risco descartado pelos
órgãos ambientais paulista e baiano que autorizaram a operação.
Conforme a AgênciaBrasil noticiou com exclusividade na terça-feira (20), os
órgãos ambientais paulista e baiano autorizaram a Rhodia a transferir para
Camaçari 760 toneladas por ano, de material contaminado por substâncias
organocloradas como o pentaclorofenato de sódio (pó da china) e o
hexaclorobenzeno para serem queimadas pela empresa de soluções ambientais
Cetrel Lumina, que possui incinerador instalado no Polo Petroquímico de
Camaçari, na região metropolitana de Salvador.
Segundo o
Instituto de Meio Ambiente e Recursos Hídricos da Bahia (Inema) e a Companhiade Tecnologia de Saneamento Ambiental de São Paulo (Cetesb), testes de queima
de amostras do material enviado pela Rhodia à Cetrel Lumina comprovaram a
eficácia do incinerador para eliminar integralmente qualquer resíduo que
ofereça risco à população ou ao meio ambiente.
Na moção
aprovada pela Câmara municipal, Marcelino lembra que, ainda na década de 1990,
outras 33 mil toneladas de solo contaminado por resíduos da Rhodia foram
armazenadas em outro município paulista da Baixada Santista, São Vicente. A
solução deveria ser temporária, até que todo o material fosse queimado pela
própria empresa, em um incinerador instalado na fábrica da multinacional, em
Cubatão. Em 1993, contudo, a Justiça determinou a interrupção da queima e a
interdição de toda a fábrica que colocava em risco a saúde dos trabalhadores.
Desde então,
todo o material recolhido na Baixada Santista aguarda por uma solução
definitiva. Na área onde funcionava a fábrica em Cubatão, estão as cerca de 5
mil toneladas recolhidas de três locais da cidade. Já as cerca de 33 mil
toneladas que estão em São Vicente são provenientes de cinco terrenos
vicentinos e de outros três de Itanhaém, município do litoral paulista a cerca
de 80 quilômetros de Cubatão, origem dos resíduos irregularmente descartados a
partir de meados da década de 1970. O eventual envio do material de São Vicente
para Camaçari depende da obtenção de novas autorizações mas,
por enquanto, Rhodia, Cetesb e Secretaria de Meio Ambiente de São Vicente não
discutem essa possibilidade.
A Associaçãode Combate aos Poluentes (ACPO) – formada por funcionários da Rhodia
contaminados pelo contato com substâncias tóxicas, divulgou nota pedindo explicações
sobre a destinação das cinzas resultantes da queima que, segundo a entidade,
são consideradas perigosas.
“O relatório
da Cetesb não esclarece para onde está sendo destinada a grande carga de cinzas
tóxicas, uma vez que apenas dez por cento do material contendo resíduos tóxicos
da Rhodia é passível de ser transformado em gases poluentes para “suposto”
tratamento. Os 90% restantes [do material] permanecem [após a queima] como
sólidos perigosos”, diz a nota da ACPO, que promete recorrer à Justiça para tentar
impedir a operação.
Edição:
Denise Griesinger
Rodhia diz que lixo tóxico depositado em São
Vicente terá destino diferente
Por Camila Maciel - 24.11.2012
São Paulo – A empresa Rodhia não planejar dar a
mesma destinação do lixo tóxico armazenado na antiga fábrica de Cubatão aos
resíduos que estão concentrados em um terreno de São Vicente, município do
litoral paulista, disse à Agência Brasil o diretor industrial
da instituição, Gerson Oliveira.
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Fábrica da Rhodia em São Paulo (cabresto.blogspot.com)
|
“Não é uma operação retida pela organização neste
momento. Estamos buscando alternativas”, declarou. Ele aponta que o
confinamento a que o material está sujeito no local é uma boa solução técnica,
pois não oferece risco às pessoas, nem ao meio ambiente.
Cerca de 3 mil toneladas de lixo tóxico,
comprovadamente cancerígeno, que resultou do processo de produção da indústria
em Cubatão, na Baixada Santista, serão transportados para Camaçari, região
metropolitana de Salvador (BA), para ser incinerado pela empresa de soluções
ambientais Cetrel Lumina.
A ação, conforme divulgado com exclusividade pela Agência
Brasil na última terça-feira (20), foi autorizada pelos órgãos
ambientais dos dois estados: Instituto de Meio Ambiente e Recursos Hídricos
(Inema) da Bahia e Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) de
São Paulo.
De acordo com o Oliveira, uma das razões para dar
destinos diferentes aos materiais tóxicos de Cubatão e São Vicente é o volume
de lixo armazenado nesses locais. Ele informou que a quantidade de resíduos é
pelos menos dez vezes maior no terreno vicentino, com cerca de 30 mil
toneladas.
A área, chamada de Estação de Espera, aglutina
resíduos de pelo menos outros seis terrenos da Baixada Santista que também
receberam descarte de material. A área fica localizada às margens da Rodovia
Padre Manoel da Nóbrega (SP-055).
Oliveira explicou ainda que as duas áreas têm
características de armazenamento diferentes, o que torna mais urgente a queima
do material presente na antiga fábrica. “Os resíduos que eu tenho em Cubatão
estão em um armazém e os outros [de São Vicente] estão em um confinamento.
Esses outros, entre as aspas, já têm uma solução. Então eu tenho que partir
para algo que seja melhor do que isso. São abordagens distintas”, defendeu.
A tentativa de transportar o material contaminado
por compostos organoclorados, como o pó da china (pentaclorofenato de sódio) e
o hexaclorobenzeno, de São Vicente, já havia sido feita pela Rodhia em 2004. A
iniciativa foi suspensa por definição do juiz Ricardo D'Ávila, da 5ª Vara da
Fazenda Pública da Bahia.
Apesar de estudar outras formas tecnológicas para
destruição dos resíduos de São Vicente, o diretor industrial defendeu a
operação de transporte e incineração na Bahia e destacou que a empresa está
confiante no procedimento. “É extremamente seguro. Temos tido um cuidado
extremo, seja do ponto de vista técnico, seja do administrativo. É um
incinerador que tem tecnologia apropriada para esse tipo de destruição e que é
todo monitorado por dentro. Tivemos pré-testes e testes para assegurar toda
essa operação exemplar em termos de destruição térmica por incineração”,
declarou.
Para órgãos ambientais paulistas, a incineração a
ser feita pela Cetrel servirá de modelo para uma futura decisão sobre o caso de
São Vicente. O secretário municipal de Meio Ambiente, Alexandre Casasco, disse
na última quinta-feira (22) à Agência Brasil que poderá exigir
o mesmo procedimento caso o processo de queima do material seja positivo.
Edição: Davi Oliveira
Para tranquilizar a população e afastar de vez o receio de que a incineração do material contaminado por compostos organoclorados como o pentaclorofenato de sódio (pó da china) e o hexaclorobenzeno causem danos ao meio ambiente e à saúde dos moradores de Camaçari e região, a secretaria estadual vai exigir que a Cetrel realize novos testes de queima para comprovar a eficiência do seu incinerador.
Governo baiano suspende queima de lixo
tóxico em Camaçari
Por Alex Rodrigues - 26.11.2012
Brasília - O
governo da Bahia vai determinar que a empresa de soluções ambientais Cetrel
Lumina suspenda o transporte e a queima de material tóxico enviado de Cubatão
(SP), pela multinacional Rhodia, para Camaçari, na região metropolitana de
Salvador. Serão solicitados novos testes para confirmar a segurança da
operação, que causou polêmica no estado depois
de noticiada com exclusividade pela Agência Brasil.
Segundo a
Secretaria do Meio Ambiente do governo baiano, a suspensão atende à solicitação
do grupo de deputados estaduais, vereadores e ambientalistas que se reuniram
hoje (26) de manhã com o secretário estadual da pasta, Eugênio Spengler. Ele
convocou para esta tarde reunião com representantes da empresa para
notificá-los da decisão. A autorização na Bahia foi concedida pelo Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema).
“Pedimos a
suspensão permanente da incineração porque achamos isso um desrespeito ao povo
de Camaçari e um risco a todas as cidades por onde vão passar os caminhões
necessários ao transporte de todo este lixo. Se esse material foi gerado em São
Paulo, por que o trazer para a Bahia?”, questionou a deputada estadual Luiza
Maia (PT), uma das participantes da reunião.
Para tranquilizar a população e afastar de vez o receio de que a incineração do material contaminado por compostos organoclorados como o pentaclorofenato de sódio (pó da china) e o hexaclorobenzeno causem danos ao meio ambiente e à saúde dos moradores de Camaçari e região, a secretaria estadual vai exigir que a Cetrel realize novos testes de queima para comprovar a eficiência do seu incinerador.
A secretaria
estadual também vai solicitar ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) detalhes
sobre os riscos envolvidos no transporte dos resíduos de Cubatão a Camaçari, um
percurso de cerca de 1,5 mil quilômetros. Compete ao instituto, que é federal,
autorizar o transporte deste tipo de material de um estado a outro.
Além disso, a
secretaria vai solicitar à Cetrel Lumina e à Rhodia detalhes sobre a operação,
inclusive quanto do material chegou a ser transferido para a Bahia, quanto dele
já foi eliminado e qual a destinação do resíduo resultante da queima, já que,
segundo alguns críticos da iniciativa, as cinzas resultantes da queima dos
compostos organoclorados também oferecem risco se não forem adequadamente
descartadas.
Por meio da
assessoria, a secretaria baiana ponderou que a decisão de exigir novos testes
tem a intenção de oferecer uma garantia maior à sociedade baiana, mas não põe
em dúvida a eficácia da Cetrel, empresa que opera há mais de 20 anos em
Camaçari e que possui autorização para destruir termicamente resíduos clorados.
Tampouco, questiona a competência do Inema de atestar a segurança da operação.
Conforme a Agência
Brasil noticiou com exclusividade no último dia 20, o Inema e a Companhia
de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb), de São Paulo,
haviam autorizado a Rhodia a transferir para Camaçari 760 toneladas por ano das
cerca de 5 mil toneladas de material contaminado que, há décadas, a Rhodia
mantém armazenada no terreno de Cubatão, na Baixada Santista, onde, até 1993,
funcionava sua fábrica. Procurada agora à tarde, a Rhodia disse que não havia
sido comunicada pelo governo baiano da decisão.
Outras 33 mil
toneladas de material semelhante permanecem à espera de uma solução definitiva
armazenados em um terreno de São Vicente,
outro município da Baixada Santista. No sábado (24), a Rhodia informou à Agência
Brasil que não tem planos de enviar os
resíduos de São Vicente para serem queimados em Camaçari.
Procurada, a prefeitura disse que aguardaria os resultados obtidos com a
incineração do material de Cubatão antes de decidir se vai cobrar da Rhodia a
mesma solução para o material acumulado na cidade.

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