segunda-feira, 22 de julho de 2013

Abrigo para animais está lotado

Da Tribuna da Bahia
Por Alexandra Nascimento - 10.07.2013

                                                                                                            


Um caso de amor à primeira vista. Com essas palavras a educadora física Maria Clara Moraes descreveu como foi o seu “caso de amor” com a pequena vira-lata Docinho. A história de Docinho é um relato da crueldade que milhares de animais passam pelo Brasil a fora.

Do descaso e abandono, a cadela viveu anos nas ruas de Salvador até ser resgatada por um voluntário da Associação Brasileira Protetora dos Animais, ABPA-BA. Das ruas para o Abrigo São Francisco de Assis onde encontrou um lar provisório, a pequena de idade desconhecida acabou chamando a atenção da dona numa feira de adoção pela peraltice e seu olhar amável.

“Na verdade eu sempre vim trazer ração para o abrigo. Quando encontrei Docinho, fui para minha casa sem tirá-la do pensamento. Imaginava como ela estaria passando, o quanto seria importante para ela um lar definitivo. Como moramos eu e minha mãe, decidi conversar com o pessoal da entidade e me oferecer como adotante. Eu sinto Docinho não como um animal, mas como uma filha que cuido, zelo, dou amor e me faz companhia. Sinto no seu olhar uma paixão imensa. Ela sem querer mudou minha vida e a forma como percebo o mundo. Ela é especial e percebi que adotá-la foi a melhor coisa que já fiz na vida. Um animal já em idade adulta, que dificilmente encontraria um lar, mas que para mim é uma grande companhia”, diz emocionada.

O relato do final feliz de Docinho representa o trabalho que os voluntários da ABPA realizam através do Abrigo São Francisco de Assis. A presidente da entidade, Patruska Barreiro, revela que existem hoje abrigados 200 gatos e 357 cães.

“Infelizmente estamos super lotados e não conseguimos mais resgatar. Nossa intenção, através das adoções, é baixarmos para 100 gatos e 200 cães abrigados. Desta forma poderemos reiniciar as atividades de resgate. Nossa meta é incentivar a adoção. Todos os domingos nos reunimos no final de linha da Pituba, na Praça Ana Lucia Magalhães, das 9h às 13h”, explica. Atualmente, segundo Patruska, são adotados mensalmente entre 15 a 20 animais nas feiras promovidas pela entidade.

Patruska iniciou os trabalhos como voluntária da causa animal pela associação em 2008. “A ABPA foi fundada em 1939. Somos filiados ao Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal. De lá para cá a entidade sempre se manteve firma na sua causa em defesa animal. O Abrigo São Francisco de Assis enfrenta dificuldades. Temos despesas com o pessoal que trabalha no abrigo, alimentação dos animais, despesas laboratoriais. Nossos gastos estão na faixa dos R$ 25 mil por mês e estamos aceitando veterinários e estudantes de veterinária como voluntários para que possamos continuar nosso trabalho. Também aceitamos doações para a manutenção do abrigo. Nosso e-mail para maiores informações é contato@abpabahia.com.br”, avisa e acrescenta: “A ABPA além de ter uma página no facebook, onde são postadosfotos de animais para adoção, tem uma página na internet: www.abpabahia.org.br e os interessados em ajudar ou adotar podem acessar para saber um pouco mais de nosso trabalho”.

Gesto de amor

Sobre a adoção Patruska diz que há certos critérios que são seguidos religiosamente. “Para adotar um animal é necessário amar muito. A adoção deve ser em comum acordo com todos os membros da família. Precisa ser maior de idade, trazer o RG, CPF e comprovante de residência e pagar uma taxa de adoção no valor de R$ 50. É preciso preencher um contrato de adoção. Todos os animais são castrados, mesmo os filhotes, além de vacinados e vermifugados. Eles têm direito a 15 dias de consulta veterinária gratuita em uma das clinicas conveniadas da ABPA, mas se o animal tiver acima de sete anos são dois anos de consulta veterinária gratuita”, revela.

Entre os trabalhos dos voluntários da  ABPA está o lar temporário. Uma espécie de espaço provisório, onde os animais em situação mais precária são abrigados até melhorar a saúde. Os filhotes, muito pequenos, também são endereçados aos lares temporários. “A ABPA ressarce os custos dos voluntários que abrigam temporariamente os animais abandonados. Um dos critérios é ser altamente responsável. Havendo necessidades ele deverá levar o animal ao veterinário e medicá-lo, por isso é um trabalho que exige muita responsabilidade”, cita.

A partir da semana que vem a entidade passa a focar numa campanha para a erradicação da cinomose. “Trata-se de uma doença séria, com alto grau de mortandade animal. Serão vacinados no próximo sábado, dia 13, cerca de 250 cães na Lagoa do Abaeté. O telefone para cadastramento do animal é 3320-0296. Estaremos oferecendo vacinação gratuita aos animais de população de baixa renda. Também estaremos comercializando camisas de R$ 30 e o valor será revertido para a compra de vacinas. Queremos levar essa campanha para os bairros carentes de Salvador e tentar erradicar essa doença”, avisa.


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