Do ATarde
Por Luiz Tito e Redação - Sucursal de Feira de Santana
O dito popular diz que o cachorro é o melhor amigo do homem, mas nem
sempre a recíproca é verdadeira. Isso é constatado nas ruas de Feira de Santana
(a 109 km de Salvador), onde é comum encontrar cães acasalando, perambulando
sem destino, aventurando suas vidas entre carros e motocicletas, na tentativa
de atravessar ruas e avenidas.
Muitas
vezes, são vistos a buscar comida no lixo, em bares e restaurantes, de onde
constantemente são expulsos a chutes, com banho de água fria ou quente,
ou simplesmente com um grito de "passa fora". O motivo da
peregrinação? Muitos foram abandonados pelos donos.
Na segunda
maior cidade da Bahia, com 600 mil habitantes, dados da Associação de Proteção
a Animais (Apa) mostram que, em dez anos, mais de 1.500 cães foram recolhidos
após serem abandonadas em diversos pontos das ruas da cidade. Uma média de 150
por ano. Esses números preocupam protetores de animais.
Números atuais - Conforme
Ricardo Jones de Lima, presidente da Apa, atualmente há mais de 5 mil cachorros
largados nas ruas do município feirense, a maioria nos bairros periféricos.
Os motivos
para o abandono são diversos, desde doenças adquiridas pelos animais, o alto
preço das rações e consultas veterinárias - variam entre R$ 70 e R$ 100 -, até
a mudança de casa, dos donos, para apartamentos ou condomínios fechados.
"Há
casos em que os responsáveis por esses animais simplesmente os deixam nas ruas,
para que se virem na alimentação. Um verdadeiro crime", disse Lima.
Com
estrutura deficitária, Ricardo Jones de Lima vem tentando dar sobrevida a esses
animais, que muitas vezes são resgatados nas ruas quase mortos. São
recolhidos tendo levado pauladas na cabeça, com pernas quebradas, muito magros,
famintos, sem pelos e cheios de carrapatos.
"Só de
lembrar o quadro clínico da maioria me revolta. Um dos exemplos é o vira-lata
batizado como Branquinho, que chegou aqui há mais de um ano esquelético e sem
uma pata, que perdeu em um atropelamento e, hoje, forte e arisco, adaptou-se à
nova vida", contou.
Segundo o
presidente, as despesas mensais com alimentação, vacina, outros cuidados e
funcionários chegam a R$ 10 mil. "Contamos com a ajuda de amigos e
empresários que fazem doações de ração e dinheiro. Alguns veterinários dão
descontos nas consultas. Além disso, fazemos sempre eventos para arrecadar
verba", informou.
"Hoje
temos em nossas bases - uma no centro e outra no bairro do Papagaio - cerca de
250 cães de raça a vira-latas. Todos vacinados, castrados, sadios e dóceis, à
espera de um novo lar", disse Lima.
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